quinta-feira, 31 de maio de 2012

COMUMENTE É ASSIM

Cada um ao nascer

traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,

floresce,
e depois desfolha.

Vladimir Maiakóvski

segunda-feira, 28 de maio de 2012

DAS UTOPIAS 

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

 DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
                                                                         Mario Quintana

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Solidão é Sempre Fundamento da Liberdade


    
A solidão é sempre fundamento 
da liberdade. Mas também do espaço
por onde se desenvolve o alargar do tempo

à volta da atenção estrita do acto.
Húmus, e alma, é a solidão. E vento,
quando da imóvel solenidade clama
o mudo susto do grito, ainda suspenso
do nome que vai ser sua prisão pensada.
A menos que esse nome seja estremecimento
— fruto de solidão compenetrada
que, por dentro da sombra, nomeia o movimento
de cada corpo entrando por sua luz sagrada.

Fernando Echevarría, in "Sobre os Mortos"

terça-feira, 22 de maio de 2012

Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição

Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?

Renato Russo

TREM BALA- Ana Vilela (LETRA)