quinta-feira, 29 de setembro de 2016

De iludir as horas cheguei a exaustão,
Não há mais o mesmo brilho e a cativante emoção dos tempos de outrora.
Aqui, não é o paraíso, mas de alguma forma encontrava alento nas palavras,
Letras essas que com o tempo foram tornando-se tão tristes quanto a minha realidade...

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016



Molho a pua
numa lágrima nua
e escrevo a minha ausência
em linhas de adeus sozinhas
nas minhas mãos.
Mergulho o pincel dos pensamentos
na tinta que me finta a vida
e pinto os sentimentos
com o azul abstracto dos meus céus
e esvoaço até que pise e beije
os chãos do infinito.
Solto a alma e grito os ecos
das canções frias e tristes
que a noite compõe
sobre a pele de mil e um tambores
que rufam sós saudades e dores
no meu coração em cinzas.
Parto para longe e quebro os reflexos
que as distâncias ditam e espelham
sob os pés das minhas fés.
Sorrio para adoçar
os vinagres do silêncio
que chorar enraíza no ver
que o meu olhar sente. 

sábado, 17 de setembro de 2016



Lá no “Água Grande” a caminho da roça negritas batem que batem co’a roupa na pedra. Batem e cantam modinhas da terra. Cantam e riem em riso de mofa histórias contadas, arrastadas pelo vento. Riem alto de rijo, com a roupa na pedra e põem de branco a roupa lavada. As crianças brincam e a água canta. Brincam na água felizes… Velam no capim um negrito pequenino. E os gemidos cantados das negritas lá do rio ficam mudos lá na hora do regresso… Jazem quedos no regresso para a roça.


Alda Espírito Santo/São Tomé e Príncipe

quinta-feira, 15 de setembro de 2016



Quero embelezar-te o olhar
com a excitação dos meus olhos,
adoçar-te os lábios
com a paixão dos meus beijos,
pôr-te a alma a voar
com as asas da minha alma,
aperfeiçoar a perfeição do teu corpo
com os fogos do meu corpo,
amar o teu amor com o meu amor,
entrelaçar a gentileza das tuas mãos
às sinas doces das minhas mãos,
destravar-te o sangue
com a velocidade poética
que incendeia o meu sangue,
enlouquecer a tua loucura
com as minhas loucas loucuras,
atrever-me no destino
com as minhas aventuras,
provocar-te sorrisos lindos
com a sinceridade
do meu sorriso,
dar vida à tua vida
com a vida viva do meu viver
e respeitar-te.
.
.
Henrique Fernandes

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Direto do túnel do tempo.


 Desfile de Sete de Setembro há mais de quarenta e cinco anos atrás na mesma rua.
O antigo prédio da esquina permanece de pé por todos esses anos, incrível não é mesmo?
Essas jovens devem ser alegres senhorinhas agora.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Longevidade tomada pelo tempo,
tombada sobre as cercas
de qualquer lugar,
revirada chama em cadeias de amar,
candeias aos saltos na escuridão,
semblante de corada paixão,
vertigem só sobre o pó
dum chão dormente,
pouso sem pouso,
repouso morto,
sobras de uma insónia
onde descontente a noite mora,
hora que anoitece a cair,
que acontece a sorrir,
que chora e grita,
que estafada morre morta,
migalha à porta da má sorte
de entrelinhas à tona das águas
que os olhos a eito entornam
sob o peito o ar que abafa
e desfoca a cara,
lágrimas que a poesia detona,
que rebentam na alma
em silêncio,
Perturbações verdadeiras,
fogueiras que enforcam
a voz do vento,
com saudade e adeus,

corda presa ao céus,
estátua viva
num jardim de mil sombras,
peneiras de muita idade
nas fronteiras de ser
ou não ser.
Maturidade.

TREM BALA- Ana Vilela (LETRA)