terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

...a dois passos do Paraíso



Passadas algumas horas, o Sultão entra em seu harém, lá suas concubinas estão a sua disposição, sorridentes. Basta um aceno, um olhar ou um toque. Era assim que ele costumava chamar a atenção delas. Imaginem uma sala altamente luxuosa e cores vibrantes e jóias cobrindo mulheres semi nuas, loucas por uma noite com o grandioso. O Sultão por sua vez nunca demonstrou interesse especial por nenhuma delas, as escolhia pelo comprimento dos cabelos ou pela cor dos olhos, preferia as com cara de ninfa...
As viu uma a uma e não quis deitar-se com nenhuma sequer, saiu cabisbaixo, estava mudando algo dentro de si, nunca havia acontecido isso antes, todas as noites ele ia ter com suas mulheres e no sétimo dia se reservava para a esposa.
Ao amanhecer o Sultão foi andar pelos seus jardins, digo isso porque não era o seu costume admirar as flores, o céu e os pequenos insetos que delas se alimentavam. Ficou de súbito furioso e imaginou aquela maldita cobra está me fazendo fraquejar, saiu dali amaldiçoando o pobre réptil.
Montou seu garanhão e imponente indagou se seus inimigos queriam tanto a sua cabeça que chegariam a esse ponto, usar tão desprezível animal. Decidiu não perder mais seu precioso tempo com uma mulher cobra ou cobra mulher, que fique no deserto e morra de uma vez, afinal o que viria de bom de um bicho tão mortal.
Quando surgia um problema na rotina do Sultão de imediato ele resolvia no campo de batalha, mas desta vez a guerra era contra si próprio. Seus sentimentos mais íntimos estão à prova e espada alguma pode decepar a raiz da paixão...
Passaram-se os dias, ele se esqueceu sua terrível inimiga, e as visitas ao harém se tornaram mais frequentes e as mulheres estavam felizes, noitadas regadas a vinho e isensos. Menos sua sultana que amargava a frieza oriunda de mulheres com homens que tem o poder nas mãos. Culta e de origem nobre não admitia ser subjugada daquela maneira, abaixar a cabeça não fazia parte de sua natureza arrogante.
O Sultão pernoitara em uma cabana no deserto, embriagado não conseguia nem levantar-se quando viu um vulto de algo rastejando do lado de fora, pensou em berrar aos seus soldados. Quando um belo corpo, com curvas fascinantes adentra em seu leito, seus cabelos negros e curtos como o de uma guerreira, rosto meigo, porém altivo e intrigante. Ela debruçou-se sobre seu corpo e beijou-lhe a boca com loucura, sua boca emanava mel e mirra. Seus seios pequenos e macios encaixavam-se perfeitamente nas mãos de seu algoz que os acariciava com ternura e voracidade. Passou a noite mais ardente de sua vida com aquela desconhecida que o deixou sem dizer nada nem adeus.
O sultão provou o doce veneno da paixão...


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