quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

...a dois passos do Paraíso


A Mamba já fora a ruína de muitos homens, caprichosa fazia de seus amantes o que bem entendesse. Os escolhia por acaso, se o sorriso lhe agrada-se ela deixava-se conquistar.
Os homens que ela seduziu foram muitos de novos a velhos ela não fazia distinção contanto que ficasse satisfeita. Nunca teve alguém realmente pra si, apesar de bonita os homens não queriam mais que um caso sem grandes consequências. Pra ela estava ótimo assim no começo, mas agora com certa idade se cansou das aventuras e procurava alguém especial feito ela. Não era má a coitadinha, apenas de antecedentes ruins e de péssima reputação, como se fazer acreditar com um histórico desses...
Já cansada pensa na solidão, seus filhos já crescidos e longe do ninho, partiram cedo demais obrigando a Mamba a querer viver novamente, formar outra família.
Empolgada arruma-se toda, quer ver o Sultão ainda esta noite, põe vestes escarlates e capricha na pintura, a ingênua quer fazer com que o Sultão lhe ame. Se esgueirando pelos corredores ela entra no hárem e transforma-se em mulher, as meninas estranham quando a vêem, por não terem visto antes . A Mamba se acomoda em uma das almofadas e pede a seus deuses que ele passe hoje por lá.
As horas escorriam lentamente e nada do Sultão aparecer, ela se agitava, preocupada decide partir daquele lugar, com certeza ir até lá não foi uma boa ideia.
Quando deu as costas o Sultão entra, estava mais bonito que nunca, cabelos negros, seus olhos castanhos demonstravam sabedoria e cansaço. Percebeu aquela mulher que saia e pediu para que se virasse. A Mamba tremeu, ele certamente não aprovaria ela estar aqui, em seu castelo.
Quando ele a reconheceu, correu e abraçou-a forte, beijando-lhe a testa, afinal a dava como perdida para sempre. Segurou-lhe pela cintura e a levou para longe, pra fora de seus domínios, a desejava, mas assumir não agora e talvez nunca...
Não se amarão desta vez, contaram estrelas, falaram dos antigos testamentos e a vida de cada um, ele a observava quieto e sombrio, poderia matá-la ali mesmo e seus problemas acabariam em um segundo. Mas faltou coragem, sua única vontade era te-la em seus braços pra sempre...
A serpente como se adivinha-se o perigo que corria chorou frente ao seu algoz que de pena a apertou contra o peito. Ela não conseguia fugir, estava cansada de tudo, se fosse para morrer que fosse pelas mãos dele. O Sultão afagou seu cabelos e a beijou lentamente, queria que o tempo parasse. Amava demais aquela estranha criatura. O Sultão montou em seu cavalo e a levou para longe de seu reino e dele próprio, não acreditava nem em si mais e nem em mais nada...
A Mamba agora estaria entregue a própria sorte?
Já amanhecia quando ele a entregou a um de seus súditos e lhe deu ordens para que a protegesse com a vida se preciso fosse, ele voltaria em breve, assim que pensa-se numa forma de ficar com ela.
Despediram-se cheios de carinho, ele estava feliz como nunca, sorria e até fazia pequenos gracejos. A sua amante no entanto disfarçava uma grande angústia de nunca mais ver o homem que tanto amava partir e não voltar nunca mais. Sabia de seu amor por ela, mas até que ponto ele aguentaria essa situação incomum.
Se amarão ardentemente, como se fosse a última vez, ela não queria se soltar dos braços de seu amante que a esperou adormecer para poder partir dali sem lágrimas.
Ao acordar a Mamba permaneceu ali paradinha com as mãos cobrindo o rosto, sua pele queimava seu rosto ardia e o choro rompeu como cachoeira, ficou assim por horas a fio. Ela o queria de volta, e não sabia se ele voltaria...
A serpente virou uma dócil cobra doméstica, e com o passar dos dias foi se sentindo sonolenta, fraca e faminta. Comia tudo que via pela frente, estranhou mas achou que não fosse nada. Até notar seu ventre crescendo cada dia mais. O amor que ela sentia pelo Sultão agora se dividia em dois, por ele e pelo filhinho que ela carregava com todo carinho. A saudade aumentava ao passo que a barriga crescia.
Ela queria o seu Sultão, o pai do seu filho...
Passados alguns meses a Mamba já havia perdido as esperanças de vê-lo novamente até que sentindo as dores do parto decide ter o seu bebê longe daquele cativeiro em que se encontrava.
Fugiu sem dizer nada a ninguém, pensando que o Sultão não soubesse de seu estado. Os súditos ficaram loucos procurando a protegida do Califa e não conseguiram encontra-la. Agora sofreriam as consequ~encias com a raiva do Sultão.
Em meio a dores insuportáveis ela deu a luz uma menina linda de olhos escanhos feito o pai, seu rostinho tão pequeno e frágil. A mãe a cobriu com paninho leve e andando devagar naquela noite enluarada sorriu agradecida pela benção de ser mãe novamente.
Assim que o Sultão soube do ocorrido mandou chicotiar os súditos desleixados e seguiu a procura de sua família, sim era desse jeito que o Sultão pensava agora.
Por noites e dias ele as procurou quando se dando por perdido adormeceu embaixo de uma árvore. Quando deu por si, já era noite e tinha fome, fez então uma fogueira e bebeu água somente, procuraria algo para caçar pela manhã.
Naquele deserto pouco há para se comer, o Sultão estava fraco e faminto quanto viu uma cobra estranha diferente daquelas que estava acostumado branquinha... não pensou duas vezes, cortou-lhe a cabeça. Ao fazer isso percebeu um filhotinho sair debaixo de barriga, pequenino. Com o susto ela se transformou em um bebê novamente e sugou as últimas gotas de leite de sua mãe. O Sultão arrependido gritava aos céus para que não fosse verdade. Amava Mamba verdadeiramente e faria tudo por ela, como pode se enganar assim?
Ela era negra e a cobra que ele matara era branca. Com o esforço que faz para dar a luz ela trocou de pele e está com o reflexo da luz a tornara albina por isso ele não a reconheceu.
Amargurado ele pega a linda menina e leva dali para seu castelo, onde com todo amor cuidaria de seua princesinha cobra. A Mamba permaneceu naquele deserto quente, seu corpo foi coberto pelas areias quentes, onde até hoje nenhum homem ousa por os pés sem um cantil de água. Pois diz a lenda que ela ainda surge em noites enluaradas pedindo àgua aos viajantes...
O Sultão morreu de tristeza pouco tempo depois desejando encontrar novamente sua amada.
A Mamba filha cresceu forte e virou uma guerreira desbravando mundo afora, tinha o sangue sultão do pai e a sensualidade réptil da mãe, o fim dela ninguém sabe, mas com certeza toda mulher tem um pouco dela dentro de si...

Fim

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